terça-feira, 5 de janeiro de 2010

REFLETINDO SOBRE A MOTIVAÇÂO NA SALA DE AULA

Prefeitura Municipal de Itabuna
Secretaria de Educação e Cultura
Escola Iolanda Pires
Coordenação Pedagógica: Márcia Cristina & Alaíse Diniz

JORNADA PEDAGÓGICA DA ESCOLA
2008
TEXTO 01: REFLETINDO SOBRE A MOTIVAÇÂO NA SALA DE AULA

MOTIVAÇÃO E ATITUDE
O papel da motivação tanto no aprendizado como no ensino não pode ser superestimado. Em Teaching by Principles, H Douglas Brown apresenta um panorama da pesquisa nessa área e oferece uma definição de motivação como “o grau em que você toma decisões sobre: a) metas a perseguir e b) o esforço que você vai dedicar a isso” (p. 32).
Houve várias tentativas de estudar e classificar os fatores envolvidos na motivação. Por algum tempo, uma distinção entre motivação “integrativa” e “instrumental” gozou de ampla popularidade a primeira sendo a motivação incitada por uma necessidade e desejo de integrar-se numa sociedade e identificar-se com ela: a última nascendo de um desejo de adquirir aptidões ou conhecimentos para utilizar como arma na obtenção de outros objetivos. A motivação integrativa foi considerada um pouco mais forte e duradoura, mas os estudos nessa área se revelaram bem inconcludentes.
“Outra divisão popular é entre motivação intrínseca, que deriva de um desejo dc satisfazer necessidades, objetivos ou ambições pessoais sem a promessa de uma recompensa específica, e motivação extrínseca”, que nasce do desejo de obter tais recompensas. Aqui, a motivação “intrínseca”, parece ser mais poderosa.
O senso comum apóia a idéia de que a realização é um dos melhores motivadores. Quando temos indícios tangíveis de que estamos atingindo objetivos ou somos bem-sucedidos no que fazemos, a motivação aumenta e se sustenta por longos períodos. Na educação, essas idéias se aplicam para professores e alunos. Se os professores estão contentes com os resultados de seu trabalho, eles vão abraçar seu próximo encargo com mais entusiasmo e maior motivação. De modo semelhante, os alunos que experimentam sucesso na escola ficarão mais ávidos por participar e expandir seu conhecimento. Nem é preciso dizer, a falta de resultados transforma um curso, série ou etapa de um ciclo em fardo para professores e alunos.
Parece lógico ver a motivação como uma gama de fatores complexos e variados e individualizados. Em geral, porém, poderíamos descrever um aluno motivado como aquele que está:
• disposto a se envolver em todas as tarefas de aprendizagem;
• interessado em todos os aspectos da matéria;
• ávido por cooperar com o professor e os colegas;
• pronto para investir energia nas tarefas designadas;
• disposto a continuar um aprendizado independente da sala de aula:
• apto para permanecer na tarefa;
• disposto a encorajar os colegas a trabalhar cuidadosamente:
• pronto para dar sugestões sobre como o programa poderia ser me1h orado;
• apto para perguntar coisas pertinentes ao conteúdo que está sendo ensinado.
ALGUNS FATORES CONSIDERADOS IMPORTANTES PARA O APRENDIZADO
 Aptidão;
 Persistência;
 Motivação;
 Interesse;
 Envolvimento;
 Paciência;
 Descanso;
 Tranqüilidade;
Se os alunos têm experiências de aprendizado satisfatórias, esse sentimento de satisfação e realização os motiva a estudar mais. Um de nossos papéis, portanto, é fazer com que as experiências de aprendizagem iniciais sejam tão positivas quanto possíveis.
MANEIRAS DE PROMOVER A MOTIVAÇÃO
 Estabelecer objetivos pertinentes às metas pessoais dos alunos;
 Apelar para as necessidades e os desejos que têm os alunos de explorarem e aprenderem;
 Envolver os alunos na seleção de atividades, materiais e tarefas;
 Apelar aos interesses dos alunos;
 Oferecer aos alunos muito feedback positivo e encorajamento;
 Criar tarefas que permitem aos alunos ter um sentimento de realização;
 Passo tarefas à altura dos níveis de proficiência dos alunos;
 Perguntar sobre os interesses, hobbies, atividades de lazer e objetivos dos alunos.
Perguntar sobre os interesses, hobbies, atividades de lazer e objetivos dos alunos tem uma vantagem dupla: mostra seu interesse genuíno por eles e pode servir como base para o planejamento de atividades futuras. Se construímos programas em torno de materiais e tópicos de interesse para nossos alunos, podemos lucrar.
Os estudantes geralmente estão motivados no início de um curso, série ou ciclo – têm altas expectativas, e o nível de motivação que conseguem sustentar é diretamente proporcional ao nível de concretização de suas expectativas. No ensino fundamental ou médio em que há uma “audiência cativa”, quedas de motivação podem levar a uma atmosfera desagradável para o aprendizado e o ensino. Com alunos mais velhos, também pode haver um aumento de atrasos e faltas, particularmente em programas em que presença e atitude não entram na avaliação. Fatores motivacionais entre estudantes adultos podem ter sério impactos sobre o destino de um curso inteiro. Ser a motivação não se mantém num nível adequadamente alto, os alunos simplesmente desaparecem, às vezes em número suficiente para resultar no término do curso ou fechamento de uma classe ou turma.
QUALIDADES DO PROFESSOR
E de bom grado ele aprendia, e de bom grado ensinava.
GEOFFREY CHAUCER, THE CANTERBURY TALES
As qualidades e características do professor são como genes: cada um tem uma combinação única que o distingue de todos os outros. As qualidades de um professor têm muito a ver com quão motivados estão os alunos para fazer o melhor na sala de aula.
Mary Torti, uma professora na St. Martha Scool, em Toronto, pediu a um grupo de alunos das 7ª e 8ª séries que lesse uma relação de traços que caracterizavam “bons” e “maus” professores e os classificasse segundo suas percepções das qualidades de um professor. (As características pertencem à lista de qualidades dos professores de línguas, de Luke Prodromou, apresentada no Fórum de Inglês, de abril de 1991.)
Os alunos consideraram boa uma professora quando tinha as seguintes qualidades ou fazia as seguintes coisas, em ordem decrescente de importância.
 Ela acreditava em mim e me fazia acreditar em mim mesmo;
 Ela se certificava de que todos haviam entendido;
 Fazíamos as lições em conjunto;
 Ela deixava os alunos fazê-las sozinhos;
 Ela gesticulava para deixar o significado claro;
 Ela falava sobre a aula;
 Ela lia num tom que deixava o significado claro.
 Ela falava sobre outros tópicos;
 Fazíamos trabalhos em grupo;
 Jogávamos jogos.

A má professora era aquela que exibia estas qualidades:

 Ela era muito rigorosa;
 Ela gritava por nada;
 Ela não nos deixava falar;
 Ela era muito nervosa e mal-humorada;
 Ela não sorria;
 Ela nos forçava a fazer coisas;
 Ela dava notas o tempo todo;
 Ela sempre falava em cima de nossas cabeças e dominava as coisas;
 Ela dava muitas provas;
 Ela começava a aula imediatamente.
Em Teachimg by Principles, descreve um aspecto positivo que ele chama de “energia de sala de aula”. Ele explica que “não importa por meio de que papel ou estilo consiga isso, você a atinge pela preparação sólida, confiança em sua habilidade de ensinar, por crença genuinamente positiva na aptidão de seus alunos de aprender, uma alegria em fazer o que faz, manifestando abertamente essa preparação, confiança positiva e alegria ao circular pela sala de aula” (P.422).
Características e habilidades como cordialidade, solidariedade, autenticidade e aptidões para negociar e ouvir, além de posturas positivas são necessárias para os professores. Num artigo de The Language Teavher Online, Adrian Underhill afirma que “esses fatores pessoais e interpessoais não são fixos, podem ser trazidos á consciência, observados, comentados, ponderados, praticados e melhorados significativamente”.
MOTIVAÇÃO E ATITUDE DO PROFESSOR
É consenso geral que nossa atitude em relação ao trabalho tem uma importante influência na sala de aula. Em certa medida, ela não só é responsável pelos sucessos e fracassos de nosso trabalho, mas também pode afetar o aprendizado dos alunos. Atitudes parecem gerar atitudes; as atitudes que temos perante nossas tarefas engendram as atitudes e condutas dos alunos.
Num artigo de 1989, Donald Freeman fornece uma abrangente definição de atitude.
Atitude aqui é definida como postura que o indivíduo adota em relação a si mesmo, à atividade de ensinar e aos alunos envolvidos no processo de ensino/aprendizado. Atitude é uma interação de comportamento, ações e percepções orientados para o exterior, de um lado, e dinâmica, sentimentos e reações internas intrapessoais, de outro. Ela se torna uma espécie de ponte que influencia o trabalho eficaz do professor individual em circunstâncias particulares. Como tal, ela pode começar a explicar os sucessos, pontos fortes e fracos que distinguem um professor (p.32).
O termo “entusiasta” no contexto da educação evoca a imagem de uma agradável atmosfera de aprendizagem, com os professores irradiando energia e alegria por tudo o que fazem. O entusiasmo garante, no professor, comprometimento e ligação profundos com seu trabalho e uma forma positiva de lidar com a tensão. Em geral, parece que os professores com essa característica positiva fora da sala de aula a levam para dentro também.
Como escreveu Julia Chermali num artigo do TESL Contact, “O professor que combina conhecimento e entusiasmo é aquele que consegue prender a atenção dos alunos”.
Certas qualidades do professor parecem ser pré-requisitos para atingir a performance máxima em certos cenários de ensino.
SEU BEM ESTAR GERAL
Seja grato quando se sentir bem e gracioso quando se sentir mal.
RICHARD CARLSON, DON’T SWEAR THE SMALL STUFF…
AND IT’S ALL SMALL STUFF
A maioria dos professores (ou talvez todos?) trabalha em ambientes muito estressantes. Reclamações comuns concentram-se na enorme carga de trabalho, problemas com comportamento dos alunos, ansiedade em relação ao futuro desconhecido e dificuldade de lidar com responsabilidades extras acrescentadas à agenda diária. Considerando a magnitude do problema e o fato de as condições de trabalho raramente mudarem, é essencial que os professores recebam apoio suficiente para enfrentar a situação existente. Infelizmente, em muitos contextos não se faz o suficiente para ajudar os professores a aliviar o estress. Em vez disso, os professores têm de desenvolver suas próprias estratégias de defesa, entre as quais podem estar:
 Adaptar-se a um nível de tolerância maior;
 Evitar situações estressantes completamente ou sempre que possível;
 Pedir transferência;
 Demitir-se ou aposentar-se antes do tempo;
 Mudar de profissão;
 Desenvolver técnicas para lidar com o estress (exercícios, meditação, etc.).
Você provavelmente concordará que a última opção é de longe a mais construtiva, mas ao mesmo tempo pode ser a mais difícil de implementar.
Muitos concordariam que o estress é causado não só pelas próprias circunstâncias, mas pelo modo como reagimos a elas.
Muitas pessoas afirmam o “poder do pensamento positivo”. Como disse Henry Ford, “Não importa se pensa que pode ou se pensa que não pode, você está certo”. Uma professora do ensino médio criou certa vez uma frase positiva – “Estou confiante de que posso ser inteiramente responsável por meu atual grupo de alunos” – e repetiu-a para si mesma diariamente, o que segundo ela, teve resultados muito positivos. Crie sua própria frase e experimente esse método para ver se funciona para você.
Outras maneiras de aliviar o estress é ajudar os outros, reservar tempo para suas atividades de lazer favoritas e dar a si mesmo a oportunidade de “recarregar as baterias” é tão importante quanto dedicar tempo, esforço e atenção a sua família, amigos alunos e tarefas profissionais.
RELAÇÃO PROFESSOR E ALUNO
A relação professor-aluno é geralmente especial e pode ressoar por toda uma vida. Os alunos muitas vezes reconhecem ex-professores como “deles” mesmo depois de muitos anos e lhes conferem um lugar especial em suas lembranças.
Alunos de todas as idades respondem positivamente aos professores que mostram interesse e respeito por eles como indivíduos e lhes dão todo o apoio necessário. Essa atitude na sala de aula cria não só um ambiente positivo de aprendizagem, mas uma expectativa positiva de vida.

COMO ESTIMULAR A MOTIVAÇÃO NOS ALUNOS
 Tratando-os com respeito;
 Enxergando-os como pessoas;
 Levando em conta, suas preocupações, problemas, interesses, especificidades, dificuldades, necessidades, seus ritmos de aprendizagem e limitações;
 Fazendo-os acreditarem em suas capacidades;
 Incentivando –os no exercício da autonomia, da expressão, participação, da busca;
 Trabalhando a sua auto-estima;
 Ouvindo-os antes de falar;
 Permitindo e promovendo o diálogo constante e a cumunicação crescente na sala de aula e mais....

“Uma vida para ser bem vivida precisa constantemente de injeções de ânimo e entusiasmo”
Referência Bibliográficas:
ARAUJO, João Batista & CHADWICK Clinfton. Aprender e ensinar – 4 ed. – São Paulo: Global, 2002
Organização e exposição textual: Márcia Cristina P. Cruz (Pedagoga e Especialista em Planejamento Educacional/Psicopedagogia – UESC/ FAEM). cristina_coordenadora@hotmail.com

Importância do Contrato Didático para o Coordenador Pedagógico!

Importância do Contrato Didático para o Coordenador Pedagógico!



Importante!
Este Contrato Didático deverá ser elaborado de forma democrática!Todos deverão opinar; ele é de suma importância, para que todos percebam seus “reais papéis”, e para que não existam as tão famosas: ”Inversões funcionais”; onde, o Diretor delega poderes de Coordenação Pedagógica ao Secretário escolar, de Secretário Escolar ao Coordenador Pedagógico e por aí vão os desmandos!Ou Pasmem! Em algumas situações não muito raras, o Diretor escolar,decide ,toma deliberações e assina documentos que deveriam ser de responsabilidade exclusiva da Coordenação Pedagógica! Existem também, aqueles Gestores pertencentes ao grupo dos: - “E eu com isso?” Só querem tudo prontinho! Á eles, só cabem as Honrarias!E o “Pobre Coordenador”, deve sempre continuar Incógnito! Ele que não se atreva aparecer! Ai dele!!Em muitas escolas, sejam elas públicas ou privadas, o Coordenador Pedagógico, é sempre o último, a saber, de tudo! Pois, para nossa infelicidade, a Direção e seus “aliados fiéis”,grupo este,que nunca deixará de existir em nenhuma instituição!Estas, são aquelas pessoas sem nenhum talento para nada,a não ser,observar o que acontece na ausência do Gestor, para relatar em momento oportuno!E com isso,garantem suas regalias dentro da “Escola”,que deixa de ser um espaço de Transformação Social,para se tornar um Comitê de Benefícios,Condescendências e Clientelismo! Qual de vocês,já não se deparou com estes “Seres desprezíveis” e famintos por um mexerico contra qualquer um, e em especial contra o Coordenador? Eu mesma, já fui vitimizada várias vezes! Contudo, não podemos deixar de ressaltar, que ainda existem boas relações escolares entre Gestão e Coordenação!São raras, mas, existem!Acreditem!!
Penso que muito ainda precisamos avançar, para que as Relações entre estes dois segmentos sejam realmente compensadoras!Todos na Escola devem colaborar para a transformação do cenário educacional. O Gestor escolar, deverá ser um parceiro do seu Coordenador escolar” um verdadeiro aliado” e não um “oponente”! Quando a relação entre estes dois segmentos tão importantes caminha “bem”, todos ganham: alunos, professores, comunidade e funcionários. O bom Gestor ,é aquele que favorece condições de trabalho á todos: Coordenadores Pedagógicos, Professores, Funcionários e demais elementos educacionais importantes para o Âmbito docente. O Gestor escolar precisa entender que nós Coordenadores Pedagógicos, não somos apenas executores de tarefas e mediadores de encontros para Planejamentos!Somos a peça chave, para o sucesso de muitas ações dentro da Escola, e nada mais justo do que, encontrarmos ajuda quando dela precisamos.
Deixo aqui registrado também, o meu pedido aos caros (as) Colegas Coordenadores:
Sejam autênticos e valorizem-se com Profissionais!O bom Coordenador Pedagógico, não é aquele, que concorda com todos os posicionamentos da Direção escolar e dos professores; mas, sim, aquele que estabelece fortes vínculos afetivos e profissionais, tornando viável e possível essa relação tão complexa, muitas vezes!Nós Coordenadores, precisamos nos renovar sempre, para que mostremos á nossa equipe de trabalho a que viemos.
Postado por Reijane Cruz Passos às 15:40 0 comentários

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O papel do Coordenador Pedagógico na escola

Educação de qualidade é uma busca constante das instituições de ensino, para que isso se torne realidades são necessárias ações que sustentem um trabalho em equipe e uma gestão que priorize a formação docente contribuido para um processo administrativo de qualidade conforme Chiavenato (1997, p.101), “não se trata mais de administrar pessoas, mas de administrar com as pessoas. As organizações cada vez mais precisam de pessoas proativas, responsáveis, dinâmicas, inteligentes, com habilidades para resolver problemas, tomar decisões”. Nessa perspectiva devemos identificar as necessidades dos professores e com eles encontrar soluções que priorizem um trabalho educacional de qualidade esse trabalho é desenvolvido pelo coordenador pedagógico.
Esse profissional tem que ir além do conhecimento teórico, pois para acompanhar o trabalho pedagógico e estimular os professores é preciso percepção e sensibilidade para identificar as necessidades dos alunos e professores, tendo que se manter sempre atualizado, buscando fontes de informação e refletindo sobre sua prática como nos fala NOVOA (2001), “a experiência não é nem formadora nem produtora. É a reflexão sobre a experiência que pode provocar a produção do saber e a formação“ com esse pensamento ainda é necessário destacar que o trabalho deve acontecer com a colaboração de todos, assim o coordenador deve estar preparado para mudanças e sempre pronto a motivar sua equipe. Dentro das diversas atribuições está o ato de acompanhar o trabalho docente, sendo responsável pelo elo de ligação entre os envolvidos na comunidade educacional. A questão do relacionamento entre o coordenador e o professor é um fator crucial para uma gestão democrática, para que isso aconteça com estratégias bem formuladas o coordenador não pode perder seu foco.
O coordenador precisa estar sempre atento ao cenário que se apresenta a sua volta valorizando os profissionais da sua equipe e acompanhando os resultados, essa caminhada nem sempre é feita com segurança, pois as diversas informações e responsabilidades o medo e a insegurança também fazem parte dessa trajetória, cabe ao coordenador refletir sobre sua própria prática para superar os obstáculos e aperfeiçoar o processo de ensino – aprendizagem. O trabalho em equipe é fonte inesgotável de superação e valorização do profissional.


Por Vanessa dos Santos Nogueira


Colunista Brasil Escola
Trabalho Docente - Educador - Brasil Escola

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Projeto: CRESCENDO E APRENDENDO COM VINÍCIUS DE MORAES

PROJETO DIDÁTICO

CRESCENDO E APRENDENDO COM
Vínicius de Moraes


ESCOLA IOLANDA PIRES
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA: MÁRCIA CRUZ
PROJETO DIDÁTICO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
LINGUAGENS ENVOLVIDAS: Linguagem verbal, linguagem Matemática e Linguagem Artística
CLIENTELA: ALUNOS DAS TURMAS DE CIN – CICLO DA INFÂNCIA – FASES: II E III
PROFESSORAS: MARIA LÚCIA DE SANTANA SANTOS E URANIA LIMA BRANDÃO
PERÍOD DE DESENVOLVIMENTO: UM TRIMESTRE LETIVO
ANO: 2009

PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO CIN

1. TEMA DO PROJETO: CRESCENDO E APRENDENDO COM VINÍCIUS DE MORAES
2. EIXO TEMÁTICO: Meio Ambiente

3. JUSTIFICATIVA:
Tomando por base os resultados apresentados no relatório da Provinha Brasil 2009 aplicada na turma de CIN – Ciclo da Infância – fase: II que retratou que dos 19 (dezenove) alunos que foram avaliados, a maioria, ou seja, 57.89% dos alunos se encontram ainda, no NÍVEL 1 – No que se refere à construção das habilidades de leitura. Ou seja, 11(alunos) = 57.89 % dos alunos avaliados, encontra-se em estágio inicial em relação à aprendizagem da linguagem escrita. O que significa que os mesmos estão iniciando as suas apropriações das habilidades referentes ao domínio das regras que orientam o uso do sistema alfabético para ler escrever. E que outros 8 (oito) alunos = 42.11 % dos alunos que também foram submetidos à avaliação da Provinha Brasil, que responderam de 11 (onze) a 15 (quinze) questões corretas, se encontram no NÍVEL 2. Considerando também os diagnósticos realizados pelas regentes das turmas de CIN II e CIN III nesse 1º trimestre que retrata a necessidade de uma reflexão maior acerca da prática pedagógica dos professores do 1º ciclo – CIN – Ciclo da Infância para que de posse da realidade diagnosticada através da Provinha Brasil e associando esses resultados aos efeitos provocados pela prática de cada professor, possamos buscar alternativas de intervenção na rotina da sala de aula e a busca da utilização de propostas de alfabetização e letramento mais consistentes que ajudem os alunos a avançarem gradativamente em suas habilidades em relação à construção da escrita e habilidade de leitura, saído do nível 1 ao nível 5, ou seja, chegando a condição de alfabetizados.
Sendo que o trabalho com poesia em sala de aula está atrelado, entre outros problemas, às atividades e aos exercícios oferecidos pelos livros didáticos que tratam deste gênero discursivo, como pretexto para levar os alunos a discutirem conteúdos gramaticais e ortográficos, deixando de lado o valor literário que, prioritariamente, tais textos possuem. Assim, objetivando um trabalho de leitura e escrita que não simplesmente utilize o texto como pretexto para o ensino da língua portuguesa, mas que se proponha a levar diariamente poemas para a sala de aula, tendo como pressuposto básico a idéia de que a formação de leitores competentes está vinculada á constante presença de textos no contexto escolar é que propomos o desenvolvimento deste projeto didático de intervenção pedagógica.
4 . OBJETIVOS:
4.1.Objetivo Geral: Oportunizar aos educandos, o acesso ao universo literário mobilizado pela poesia, levando-os a constituírem uma relação diferenciada com a linguagem, e, conseqüentemente, tornar-se leitores e produtores de textos competentes.

4.2. Objetivos Específicos:
• Descobrir a importância da poesia como forma de expressão e comunicação;
• Possibilitar o contato com a nossa tradição literária e cultural, permitindo o resgate de nossas condições de criação;
• Imaginar, produzir sentidos e estabelecer relações entre a palavra e o mundo;
• Ouvir poemas e poesias lidas pelo professor;
• Ouvir pomas e poesias lidas pelos colegas;
• Ler e interpretar textos poéticos;
• Compreender o sentido dos poemas e poesias lidos na sala de aula;
• Produzir rimas;
• Produzir poemas e poesias;
• Declamar poemas e poesias;
• Diferenciar poesia de prosa;


5. Estratégias de Desenvolvimento:

• Aula expositiva sobre texto poético e prosa;
• Estudo, compreensão, produção e reescrita da biografia de Vinícius de Moraes;
• Escritas de auto biografias;
• Leitura e interpretação oral coletiva dos poemas e poesias de Vinícius de Moraes
• Leitura e interpretação escrita (individual) dos poemas e poesias de Vinícius de Moraes.
• Compreensão oral e escrita de textos poéticos;
• Leitura e Criação de rimas;
• Montagem de textos poéticos fatiados em tiras;
• Montagem de textos poéticos fatiados em palavras;
• Escrita e reescrita de textos poéticos;
• Ilustração de poesias e poemas;
• Elaboração de livreto de poesias produzidas pelos alunos;
• Declamação de poemas e poesias;
• Dramatização de poemas e poesias de Vinícius de Moraes
• Realização de Sarao das poesias estudas ou produzidas pelos alunos.

6. Recursos:
6. 1. Humanos: professores e alunos;
6. 2. Materiais: Livros portadores de textos poéticos; folhas mimeografadas; matrizes; Papel metro, lápis de cor, hidrocor, giz de gera, tesoura, pilotos, lápis grafite, Caneta esferográfica, enciclopédias, cola, cadernos dos alunos, mídias, TV, DVD e aparelho de som.

7. Acompanhamento e Avaliação: O projeto será acompanhado pela coordenação, observando-se a operacionalização das atividades nas salas de aula e os depoimentos dos professores nas reuniões do coletivo escolar, utilizando-se a observação das produções dos alunos, envolvimento, interesse e auto-avaliação, bem como os resultados apresentados no diagnóstico avaliativo dos alunos do CIN após o desenvolvimento do projeto.


ANEXOS:
BIOGRAFIA
Vinícius de Moraes: Vida e obras

Marcus Vinicius da Cruz Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Atraído pela música desde cedo, Vinícius de Moraes teve seu primeiro poema musical publicado na revista. Em 1972, a estudante de Letras Gilda Mattoso conseguiu um autógrafo do astro Vinícius após um show para estudantes da UFF, em Niterói (RJ). Quatro anos depois o amor se concretizaria. O poeta , já sessentão; ela, com 23 anos. Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes das canções do LP Arca de Noé com Toquinho, Vinícius, já cansado, disse que iria tomar um banho. Toquinho foi dormir. Pela manhã foi acordado pela empregada que encontrara Vinícius na banheira com dificuldades para respirar. Toquinho correu para o banheiro, seguido de Gilda. Não houve tempo para socorrê-lo. Vinícius de Moares morria na manhã de 9 de julho. No enterro, abraçada a Elis Regina, Gilda lembrava da noite anterior, quando em uma entrevista, perguntaram ao poeta: “Você está com medo da morte?”. E Vinícius, placidamente, respondeu: “Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida”.
Os primeiros passos de sua carreira estão ainda sob influências neo- simbolistas, contendo certo misticismo. Porém, logo modificou seu estilo para o erotismo, em contraste à suas obras de tom bíblicas anteriores. Nesta segunda fase, Vinícius de Moraes é caracterizado por inovações na ordem formal, a mais notável destas seria o aparecimento dos sonetos. Revela também, nesta segunda fase, uma valorização para o momento, com as coisas acontecendo de repente. Seus poemas trabalharam também com a felicidade e/ou a infelicidade muitas vezes, também. O autor procurou também escrever algumas poesias no ramo social. Fez também importante colaboração para a música nacional, cantando no estilo bossa nova. Algumas de suas obras: Em 1974, Vinicius e Toquinho compuseram "As Cores de Abril" e "Como É Duro Trabalhar", ambas incluídas na trilha sonora da novela "Fogo Sobre Terra" (da Rede Globo). Em 1980, foi lançado o álbum "Arca de Noé", que trouxe diversos intérpretes para as composições infantis do poeta, musicadas a partir do livro homônimo. O disco gerou um especial infantil na Rede Globo, naquele mesmo ano e muitas outras.
Poema: A Casa
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes

POEMAS:

A CASA (Vinícius de Moraes)

ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA

NÃO TINHA TETO, NÃO TINHA NADA

NINGUÉM PODIA ENTRAR NELA, NÃO

PORQUE NA CASA NÃO TINHA CHÃO

NINGUÉM PODIA DORMIR NA REDE

PORQUE NA CASA NÃO TINHA PAREDE

NINGUÉM PODIA FAZER PIPI

PORQUE PENICO NÃO TINHA ALI

MAS ERA FEITA COM MUITO ESMERO

NA RUA DOS BOBOS NÚMERO ZERO

A Foca

Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

QUER VER A FOCA
FICAR FELIZ?
É PÔR UMA BOLA
NO SEU NARIZ

QUER VER A FOCA
BATER PALMINHA?
É DAR A ELA
UMA SARDINHA

QUER VER A FOCA
COMPRAR UMA BRIGA?
É ESPETAR ELA
BEM NA BARRIGA

LÁ VAI A FOCA
TODA ARRUMADA
DANÇAR NO CIRCO
PRA GAROTADA

LÁ VAI A FOCA
SUBINDO A ESCADA
DEPOIS DESCENDO
DESENGONÇADA

QUANTO TRABALHA
A COITADINHA
PRA GARANTIR
SUA SARDINHA

O Gato
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho / Bacalov

COM UM LINDO SALTO
LEVE E SEGURO
O GATO PASSA
DO CHÃO AO MURO
LOGO MUDANDO
DE OPINIÃO
PASSA DE NOVO
DO MURO AO CHÃO
E PISA E PASSA
CUIDADOSO, DE MANSINHO
PEGA E CORRE, SILENCIOSO
ATRÁS DE UM POBRE PASSARINHO
E LOGO PÁRA
COMO ASSOMBRADO
DEPOIS DISPARA
PULA DE LADO
SE NUM NOVELO
FICA ENROSCADO
OURIÇA O PÊLO, MAL-HUMORADO
UM PREGUIÇOSO É O QUE ELE É
E GOSTA MUITO DE CAFUNÉ

COM UM LINDO SALTO
LEVE E SEGURO
O GATO PASSA
DO CHÃO AO MURO
LOGO MUDANDO
DE OPINIÃO
PASSA DE NOVO
DO MURO AO CHÃO
E PISA E PASSA
CUIDADOSO, DE MANSINHO
PEGA E CORRE, SILENCIOSO
ATRÁS DE UM POBRE PASSARINHO
E LOGO PÁRA
COMO ASSOMBRADO
DEPOIS DISPARA
PULA DE LADO
E QUANDO À NOITE VEM A FADIGA
TOMA SEU BANHO
PASSANDO A LÍNGUA PELA BARRIGA

O Pingüim
Vinícius de Moraes

BOM-DIA, PINGÜIM
ONDE VAI ASSIM
COM AR APRESSADO?
EU NÃO SOU MALVADO
NÃO FIQUE ASSUSTADO
COM MEDO DE MIM.
EU SÓ GOSTARIA
DE DAR UM TAPINHA
NO SEU CHAPÉU DE JACA
OU BEM DE LEVINHO
PUXAR O RABINHO
DA SUA CASACA


O Elefantinho
Vinícius de Moraes

ONDE VAIS, ELEFANTINHO
CORRENDO PELO CAMINHO
ASSIM TÃO DESCONSOLADO?
ANDAS PERDIDO, BICHINHO
ESPETASTE O PÉ NO ESPINHO
QUE SENTES, POBRE COITADO?
— ESTOU COM UM MEDO DANADO
ENCONTREI UM PASSARINHO!

A um Passarinho
Vinícius de Moraes

PARA QUE VIESTE
NA MINHA JANELA
METER O NARIZ?
SE FOI POR UM VERSO
NÃO SOU MAIS POETA
ANDO TÃO FELIZ!
SE É PARA UMA PROSA
NÃO SOU ANCHIETA
NEM VENHO DE ASSIS.
DEIXA-TE DE HISTÓRIAS
SOME-TE DAQUI!
A Cachorrinha
Vinícius de Moraes

MAS QUE AMOR DE CACHORRINHA!
MAS QUE AMOR DE CACHORRINHA!

PODE HAVER COISA NO MUNDO
MAIS BRANCA, MAIS BONITINHA
DO QUE A TUA BARRIGUINHA
CRIVADA DE MAMIQUINHA?
PODE HAVER COISA NO MUNDO
MAIS TRAVESSA, MAIS TONTINHA
QUE ESSE AMOR DE CACHORRINHA
QUANDO VEM FAZER FESTINHA
REMEXENDO A TRASEIRINHA?
O ar (O vento)
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho / Bacalov
ESTOU VIVO MAS NÃO TENHO CORPO
POR ISSO É QUE NÃO TENHO FORMA
PESO EU TAMBÉM NÃO TENHO
NÃO TENHO COR

QUANDO SOU FRACO
ME CHAMO BRISA

E SE ASSOBIO
ISSO É COMUM

QUANDO SOU FORTE
ME CHAMO VENTO

QUANDO SOU CHEIRO




Leão

Vinícius de Moraes

LEÃO! LEÃO! LEÃO!
RUGINDO COMO UM TROVÃO
DEU UM PULO, E ERA UMA VEZ
UM CABRITINHO MONTÊS.
LEÃO! LEÃO! LEÃO!
ÉS O REI DA CRIAÇÃO!
TUA GOELA É UMA FORNALHA
TEU SALTO, UMA LABAREDA
TUA GARRA, UMA NAVALHA
CORTANDO A PRESA NA QUEDA.
LEÃO LONGE, LEÃO PERTO
NAS AREIAS DO DESERTO.
LEÃO ALTO, SOBRANCEIRO
JUNTO DO DESPENHADEIRO.
LEÃO NA CAÇA DIURNA
SAINDO A CORRER DA FURNA.
LEÃO! LEÃO! LEÃO!
FOI DEUS QUE TE FEZ OU NÃO?
O SALTO DO TIGRE É RÁPIDO
COMO O RAIO; MAS NÃO HÁ
TIGRE NO MUNDO QUE ESCAPE
DO SALTO QUE O LEÃO DÁ.
NÃO CONHEÇO QUEM DEFRONTE
O FEROZ RINOCERONTE.
POIS BEM, SE ELE VÊ O LEÃO
FOGE COMO UM FURACÃO.
LEÃO SE ESGUEIRANDO, À ESPERA
DA PASSAGEM DE OUTRA FERA...
VEM O TIGRE; COMO UM DARDO
CAI-LHE EM CIMA O LEOPARDO
E ENQUANTO BRIGAM, TRANQÜILO
O LEÃO FICA OLHANDO AQUILO.
QUANDO SE CANSAM, O LEÃO
MATA UM COM CADA MÃO.
LEÃO! LEÃO! LEÃO!
ÉS O REI DA CRIAÇÃO!


A Pulga
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

UM, DOIS, TRÊS
QUATRO, CINCO, SEIS
COM MAIS UM PULINHO
ESTOU NA PERNA DO FREGUÊS
UM, DOIS, TRÊS
QUATRO, CINCO, SEIS
COM MAIS UMA MORDIDINHA
COITADINHO DO FREGUÊS
UM, DOIS, TRÊS
QUATRO, CINCO, SEIS
TÔ DE BARRIGUINHA CHEIA
TCHAU
GOOD BYE
AUF WIEDERSEHEN

A FORMIGA
VINICIUS DE MORAES

COMPOSIÇÃO: VINICIUS DE MORAES / PAULO SOLEDADE
AS COISAS DEVEM SER BEM GRANDES
PRA FORMIGA PEQUENINA
A ROSA, UM LINDO PALÁCIO
E O ESPINHO, UMA ESPADA FINA

A GOTA D'ÁGUA, UM MANSO LAGO
O PINGO DE CHUVA, UM MAR
ONDE UM PAUZINHO BOIANDO
É NAVIO A NAVEGAR

O BICO DE PÃO, O CORCOVADO
O GRILO, UM RINOCERONTE
UNS GRÃOS DE SAL DERRAMADOS,
OVELHINHAS PELO MONTE

A Galinha d' Angola
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

COITADA, COITADINHA
DA GALINHA-D'ANGOLA
NÃO ANDA ULTIMAMENTE
REGULANDO DA BOLA

ELA VENDE CONFUSÃO
E COMPRA BRIGA
GOSTA MUITO DE FOFOCA
E ADORA INTRIGA
FALA TANTO
QUE PARECE QUE ENGOLIU UMA MATRACA
E VIVE RECLAMANDO
QUE ESTÁ FRACA

TOU FRACA! TOU FRACA!
TOU FRACA! TOU FRACA! TOU FRACA!

COITADA, COITADINHA
DA GALINHA-D'ANGOLA
NÃO ANDA ULTIMAMENTE
REGULANDO DA BOLA

COME TANTO
ATÉ TER DOR DE BARRIGA
ELA É UMA BAGUNCEIRA
DE UMA FIGA
QUANDO CHOCA, COCOROCA
COME MILHO E COME CACA
E VIVE RECLAMANDO
QUE ESTÁ FRACA

TOU FRACA! TOU FRACA! TOU FRACA!


O PERU
VINICIUS DE MORAES
COMPOSIÇÃO: VINICIUS DE MORAES / TOQUINHO / PAULO SOLEDADE

GLU! GLU! GLU!
ABRAM ALAS PRO PERU!

O PERU FOI A PASSEIO
PENSANDO QUE ERA PAVÃO
TICO-TICO RIU-SE TANTO
QUE MORREU DE CONGESTÃO

O PERU DANÇA DE RODA
NUMA RODA DE CARVÃO
QUANDO ACABA FICA TONTO
DE QUASE CAIR NO CHÃO

O PERU SE VIU UM DIA
NAS ÁGUAS DO RIBEIRÃO
FOI-SE OLHANDO, FOI DIZENDO
QUE BELEZA DE PAVÃO

FOI DORMIR E TEVE UM SONHO
LOGO QUE O SOL SE ESCONDEU
QUE SUA CAUDA TINHA CORES
COMO A DESSE AMIGO SEU


O PINTINHO
VINICIUS DE MORAES
COMPOSIÇÃO: VINICIUS DE MORAES / TOQUINHO / GILDA MATTOSO / SÉRGIO BARDOTTI / PIPO CARUSO

PINTINHO NOVO
PINTINHO TONTO
NÃO ESTÁS NO PONTO
VOLTA PRO OVO
EU NÃO ME CALO
FALO DE NOVO
NÃO BANQUE O GALO
VOLTA PRO OVO
A TIA RAPOSA

NÃO MARCA TOUCA
TÁ SÓ TE OLHANDO
COM ÁGUA NA BOCA
E SE LIGEIRO VOCÊ ESCAPAR
TEM UM GRANJEIRO
QUE VAI TE ADOTAR

O MEU OVO ESTÁ ESTREITINHO
JÁ ME SINTO UM GALETINHO
JÁ POSSO SAIR SOZINHO
EU JÁ SOU DONO DE MIM
VOU CISCAR PELA CIDADE
GRÃO-DE-BICO EM QUANTIDADE
MUITO MILHO E LIBERDADE
POR FIM

PINTINHO RARO
PINTINHO NOVO
TÁ TUDO CARO
VOLTA PRO OVO
E O TEMPO INTEIRO
TERÁS PINTINHO
UM COZINHEIRO
NO TEU CAMINHO
POR ISSO EU DIGO
E FALO DE NOVO
PINTINHO AMIGO
ENTÃO VOLTA PRO OVO
SE DE REPENTE VOCÊ ESCAPAR
NUM FORNO QUENTE VOCÊ VAI PARAR

GOSTO MUITO DESSA VIDA
ENSOPADA OU COZIDA
ATÉ ASSADA É DIVERTIDA
COM SALADA E AIPIM
TUDO LINDO, A VIDA É BELA
MESMO SENDO À CABIDELA
POIS SERÁ NUMA PANELA
MEU FIM

POR ISSO EU DIGO
E FALO DE NOVO
PINTINHO AMIGO
ENTÃO VOLTA PRO OVO
E SE LIGEIRO VOCÊ ESCAPAR
TEM UM GRANJEIRO
QUE VAI TE ADOTAR

A FORMIGA
VINICIUS DE MORAES
COMPOSIÇÃO: VINICIUS DE MORAES / PAULO SOLEDADE

AS COISAS DEVEM SER BEM GRANDES
PRA FORMIGA PEQUENINA
A ROSA, UM LINDO PALÁCIO
E O ESPINHO, UMA ESPADA FINA

A GOTA D'ÁGUA, UM MANSO LAGO
O PINGO DE CHUVA, UM MAR
ONDE UM PAUZINHO BOIANDO
É NAVIO A NAVEGAR

O BICO DE PÃO, O CORCOVADO
O GRILO, UM RINOCERONTE
UNS GRÃOS DE SAL DERRAMADOS,
OVELHINHAS PELO MONTE


O PORQUINHO
VINICIUS DE MORAES
COMPOSIÇÃO: VINICIUS DE MORAES / TOQUINHO

MUITO PRAZER, SOU O PORQUINHO
EU TE ALIMENTO TAMBÉM
MEU COURO BEM TOSTADINHO
QUEM É QUE NÃO SABE O SABOR QUE TEM
SE VOCÊ CRESCE UM POUQUINHO
O MÉRITO, EU SEI
CABE A MIM TAMBÉM

SE QUISER, ME CHAME
TE DAREI SALAME
E A MORTADELA
BRANCA, ROSA E BELA
NUM PÃOZINHO QUENTE
CONTINUANDO O ASSUNTO
TE DAREI PRESUNTO
E NA FEIJOADA
MESMO REQUENTADA
AGRADO A TODA GENTE

SENDO UM PORQUINHO INFORMADO
O MEU DESTINO BEM SEI
DEPOIS DE ESTAR BEM TOSTADO
FRITINHO OU ASSADO
EU PARTIREI
COM A TIA VACA DO LADO
VESTIDO DE ANJINHO
PRO CÉU VOAREI

DO RABO AO FOCINHO
SOU TODO TOICINHO
BOTA MALAGUETA
EM MINHA COSTELETA
NUMA GORDURINHA
QUE COISA MALUCA
MINHA PURURUCA
É UMA BELEZA
MINHA CALABRESA
NO AZEITE FRITINHA

O PATO

VINICIUS DE MORAES
COMPOSIÇÃO: VINICIUS DE MORAES / TOQUINHO / PAULO SOLEDADE

QÜÉN! QÜEN! QÜÉN! QÜEN!
QÜÉN! QÜEN! QÜÉN! QÜEN!
QÜÉN! QÜEN! QÜÉN! QÜEN!
QÜÉN! QÜEN! QÜÉN! QÜEN!

LÁ VEM O PATO
PATA AQUI, PATA ACOLÁ
LÁ VEM O PATO
PARA VER O QUE É QUE HÁ...(2X)

O PATO PATETA
PINTOU O CANECO
SURROU A GALINHA
BATEU NO MARRECO
PULOU DO POLEIRO
NO PÉ DO CAVALO
LEVOU UM COICE
CRIOU UM GALO...

COMEU UM PEDAÇO
DE GENIPAPO
FICOU ENGASGADO
COM DOR NO PAPO
CAIU NO POÇO
QUEBROU A TIGELA
TANTAS FEZ O MOÇO
QUE FOI PRÁ PANELA...

QUÁ! QUÁ! QUÁ! QUÁ QUÁ!
QUÁ! QUÁ! QUÁ! QUÁ QUÁ!
QUÁ! QUÁ! QUÁ! QUÁ QUÁ!

LÁ VEM O PATO
PATA AQUI, PATA ACOLÁ
LÁ VEM O PATO
PARA VER O QUE É QUE HÁ...(2X)

O PATO PATETA
PINTOU O CANECO
SURROU A GALINHA
BATEU NO MARRECO
PULOU DO POLEIRO
NO PÉ DO CAVALO
LEVOU UM COICE
CRIOU UM GALO...

COMEU UM PEDAÇO
DE GENIPAPO
FICOU ENGASGADO
COM DOR NO PAPO
CAIU NO POÇO
QUEBROU A TIGELA
TANTAS FEZ O MOÇO
QUE FOI PRÁ PANELA...

CAIU NO POÇO
QUEBROU A TIGELA
TANTAS FEZ O MOÇO
QUE FOI PRÁ PANELA...